sexta-feira, 6 de abril de 2018

Vetor ideológico e político do programa patriótico


ABC (2018). Vetor. Forte de São Miguel Arcanjo, Nazaré.


Desenvolvo o programa patriótico gradual que propus para o País, com a primeira fase: a delineação do vetor ideológico e político.

O vetor ideológico e político que apresento tem duas dimensões: os costumes e a economia.

A dimensão costumes tem sido menosprezada desde que o marxismo impôs o primado da economia, e antes de Marx já os liberais e os utilitaristas também davam maior importância à economia. Essa primazia não diminuíu, pelo contrário, com o aumento lrdo rendimento e do conforto dos povos. A economia passou a ser o terreno onde se confrontavam as propostas políticas. Depois da II Guerra Mundial,  com o choque do nacional-socialismo e fascismo com as democracias e o comunismo, do controlo do Leste da Europa pelos russos e da guerra indireta fora da Europa, do derrube da Cortina de Ferro e da fragmentação da União Soviética, o marxismo transmutou-se em pós-modernismo, mudando de cor mas mantendo a praxis totalitária. Uma revolução social para criar um homem novo muito velho, tão velho quanto o mundo antes de ser tocado pela Verdade... Dirigida por uma  outra mesma vanguarda, na qual, em vez da raiz operária e da contabilidade dos anos de cárcere, conta a linhagem política e o hábito burguês.

À direita, o vazio ideológico e a fraqueza política, aceitou-se a ditadura do politicamente correto. novo paradigma de revolução social. Entretida nos negócios da corrupção de Estado (tal como a esquerda socialista), na confidencialidade da cunha para a dispensa de tachos e na comissào para a atribuição e contratos, a direita, jótica ou degenerada, abandona o combate cultural e adota o niilismo relativista da esquerda. A direita socializou-se. Os valores passaram a ser rodapés de discursos eleitorais. Os políticos de direita aplaudidos pelos média são os que defendem o liberalismo de costumes, ainda que militem num partido democrata-cristão...

Qual o conjunto de políticas da dimensão dos costumes? Entre outros, sugerimos as seguintes:
  1. a doutrina social da Igreja como categoria de orientação e interpretação das políticas;
  2. a promoção da vida, oposição ao aborto, à eutanásia e à liberalização de drogas;
  3. a recusa da ideologia de género, com o direito a cada criança ter um pai e uma mãe, oposição a barrigas de aluguer e à adoção, ou co-adoação, de crianças por casais homossexuais;
  4. a valorização da família, com benefícios no apoio educativo, na fiscalidade e no trabalho, e subida do abono de família para valores razoáveis;
  5. reforma do sistema de assistência social aos mais pobres da subsidio-dependência e conformação com a pobreza 'congénita' para um modelo de integração laboral» integração económica» integração social e promoção cultural do trabalho;
  6. reorientação da política estatizante de solidariedade (solidariedade é jargão da esquerda)  para uma política de assistência concertada com as IPSS, nomeadamente nas creches, ensino e assistência à terceira e quarta idades;
  7. responsabilização dos beneficiários de apoios com o fornecimento de um cartão de crédito de assistência social, onde serão carregados mensalmente todos os subsídios e apoios públicos, diretos e indiretos, concedidos
  8. registo de crianças nascidas fora do serviço nacional de saúde, através de métodos de identificação que despistem casos de multiplicação de identidade;
  9. substituição do rendimento social de inserção por baixa médica, para quem tenha incapacidade de trabalhar;
  10. restrição dos apoios concedidos a imigrantes, em valor e tempo, para dissuadir a imigração de subsidio-dependente e definição de regras estritas de acesso à nacionalidade, incluindo não concessão por cometimento de crimes de relevo
  11. teto nos valores das pensões contributivas, com plafonamento optativo;
  12. acesso fácil, rápido e barato, ao serviço nacional de saúde, com taxas moderadoras baixas; 
  13. eliminação da ditadura esquerdista do politicamente correto na escola e maior exigência na avaliação dos estudantes para aceleração do desenvolvimento cultural e económico do País;
  14. acesso gratuito ao ensino pré-escolar, básico e secundário e propinas baixas no superior (não só nas licenciaturas, mas também nos mestrados e doutoramentos, cujos preços nas universidades públicas constituem um escândalo), e bolsas de mérito para estudantes do ensino superior (além das bolsas de estudo por necessidade económica);
  15. eliminação dos apoios diretos do Estado para pessoas e instituições da cultura e das artes;
  16. gestão do património cultural do País por técnicos credenciados em gestão, arquitetura e engenharia, além dos formados em letras;
  17. mudança do sistema penal do garantismo dos poderosos e criminosos para a proteção das vítimas (em especial das mulheres, crianças e idosos, com sanções imediatas de afastamento) e reforma dos tribunais para uma maior rapidez na administração da justiça (nomeadamente, dos tribunais administrativos e fiscais);
  18. agravamento das penas mínimas para crimes de corrupção de Estado e crimes violentos e agravamento especial das penas mínimas por agressão (e ameaça de agressão) a agentes de autoridade, a magistrados e a funcionários dos serviços públicos;
  19. reformas das polícias: do paradigma de mediação que obriga as vítimas a ceder aos interesses dos criminosos para um paradigma de proteção das vítimas;
  20. profissionalização dos corpos de bombeiros ao nível municipal, com suporte financeiro pelo Estado, mantendo, todavia, um corpo suplementar de voluntários nas corporações;
  21. criação de um corpo nacional de guardas florestais e aumento do número de sapadores florestais e criação de um corpo de fiscalização ambiental nacional, a dispor ao nível municipal, para os cursos de água, mar e campos (tal como com os guardas florestais, a eliminação dos guarda-rios foi uma calamidade provocada pela esquerda bem-pensante);
  22. recuperação do serviço militar obrigatório, de nove meses;
  23. reorientação da política externa portuguesa para a Nato e União Europeia, em vez do presente alinhamento comunista do Estado com o bloco russo-chinês (a lembrar os tempos de 1974-1975!).

E qual o conjunto de políticas da dimensão económica? Para lá de outras, apresento:
  1. a doutrina social da Igreja, como categoria de orientação e de interpretação das políticas (Carta Encíclica Sollicitudo Rei Socialis, do Papa João Paulo II, de 30-12-1987);
  2. eliminação do modelo político de bancocracia - domínio do Estado pela aliança de políticos, bancos e grandes empresas públicas ou oligopolistas, que canalizam os recursos públicos para cobrir défices de exploração motivados pela corrupção - com recuperação do modelo democrático de colocação do Estado ao serviço do povo, das pessoas, das famílias, das empresas e instituições da sociedade civil;
  3. redução do peso do Estado, e das câmaras municipais e das juntas de freguesia (o novo alfobre de contratações políticas...), no emprego;
  4. prioridade às empresas sobre os bancos;
  5. incentivo à criação de um sistema de rating bancário das empresas que garanta pagamentos e rápidos aos fornecedores, que podem assim passar a cobrar através de factoring (se o desejarem); 
  6. valorização do trabalho;
  7. redução do subsídio de desemprego a seis meses e restrição da recusa de emprego por desadequação funcional;
  8. promoção da floresta, do seu ordenamento e diversidade (a começar pelas matas do Estado...);
  9. revolução na coesão do País, com a orientação de recursos e atividades públicas para o interior e as periferias, repovoando e desenvolvendo as áreas deprimidas;
  10. atribuição de benefícios fiscais aos cidadãos residentes no interior e nas periferias e às empresas aí sedeadas,
  11. desagravamento da fiscalidade sobre o trabalho, compensando com a fiscalidade sobre o consumo;
  12. desagravamento fiscal das empresas, com um sistema de isenção fiscal dos rendimentos das micro e pequenas empresas;
  13. alargamento do programa de estágios remunerados para licenciados, alunos  de cursos profissionais e de cursos técnicos superiores profissionais (TeSP);
  14. criação de aceleradoras de empresas, ao nível de cada concelho, com apoio das escolas superiores;
  15. melhoria da limpeza das cidades para uma melhor vivência dos residentes e trabalhadores e uma melhor experiência dos turistas;
  16. desburocratização dos processos de licenciamento turístico, comercial e de serviços;
  17. eliminação das taxas absurdas de dormida de turistas impostas pelas autarquias (as câmaras municipais ganham muito mais com o turismo do que lhes custa a limpeza e transportes);
  18. desburocratização da atividade agrícola com a redução do peso lisboeta do Ministério da Agricultura;
  19. apoio à atividade pecuária, com a criação de um sistema de tratamento de efluentes que reduza a contaminação dos campos, do subsolo, dos cursos de água e dos lençóis freáticos;
  20. liberalização da abertura de canais televisivos e eliminação da ERC com a transferência da fisclização para os tribunais;
  21. desburocratização do licenciamento industrial, do comércio e dos serviços;
  22. eliminação da sustentação política seletiva de empresas amigas;
  23. redução dos agências governamentais (quangos) com tranferência de competências de concorrência, de comunicações, de energia, para os tribunais;
  24. redução do desemprego jovem, com incentivos para trabalho em setores com falta de mão-de-obra;
  25. incentivos à transferência de pessoal excedentário de determinadas secções do Estado e das autarquias, para o setor privado;
  26. bolsas de estudo para desempregados licenciados em áreas de fraca procura (por exemplo, letras, artes, ciências sociais) obterem licenciaturas e pós-graduações em áreas de maior empregabilidade, com creditação preferencial da formação anterior.

O vetor ideológico e político que apresento para um programa patriótico gradual é uma síntese. Mas constitui uma proposta de trabalho de uma política patriótica intransigente com o delírio esquerdista do politicamente correto e com a corrupção política da direita dos interesses. Haja vontade!   

terça-feira, 27 de março de 2018

Um programa patriótico gradual




A análise da marcha do relativismo (DPP, 24-3-2018) em que somos embalados, suscita a questão da ação. O que fazer?

A pergunta já estava sumariamente respondida, num diagnóstico duro da realidade política portuguesa que fiz nos postes «Criar as condições de mudança cultural e política», de 25-2-2018, e «Regras e caos: o exemplo de Jordan Peterson», de 5-3-2018. Mas é vantajoso sumariar e depois desenvolver.

A democracia direta, que tenho defendido, continua a ser o sistema necessário para o exercício da intervenção política. Contudo, não pode esperar-se que um sistema corrupto decida regras (as da democracia direta) que o destroem. Portanto, não pode esperar-se que o sistema se reforme, tem de ser revolucionado a partir de fora.

E seria leviandade crer que o estabelecimento de regras e a sua aplicação, por si, bastariam para tornar virtuosos homens viciados no crime e instituições degeneradas na corrupção. Ao contrário, a experiência recomenda que se ajustem os valores, se lute para alcançar o poder e, só então, se proceda à reforma das leis. Porque os protagonistas corruptos e servos - mesmo enquanto líderes!... - da longa e ramificada cadeia de corrupção, jamais consentem a alteração que os afaste.

Tal como seria ingenuidade acreditar que a conquista do poder por homens virtuosos chegaria para garantir o funcionamento escrupuloso do Estado de direito democrático no médio prazo. Como advertência, lembre-se o aforismo de John Emerich Edward Dalberg Acton, em carta a Mandell Creighton, citado por J. Rufus Fears, in Selected Writings of Lord Acton, Volume III, Indianapolis, Liberty Classics, 1988, p. 519: «O poder tende a corromper e o poder absoluto corrompe absolutamente». Para limitar as tentações, será depois preciso alterar a Constituição, as leis e a sua aplicação, para estabelecer um sistema de democracia direta, que garante o escrutínio rigoroso do governo e das instituições.

Em consequência, se o sistema partidário português está dominado pela corrupção, e amparado pela desumanidade da maçonaria, importa definir e executar um programa patriótico gradual:
  1. Traçar um vetor ideológico e político.
  2. Criar os meios.
  3. Organizar as hostes.
  4. Combater.
Em próximos postes, procurarei sintetizar as minhas ideias sobre cada uma destas fases.


* Imagem picada daqui.

sábado, 24 de março de 2018

A marcha do relativismo



O paradoxo do totalitarismo do politicamente correto é a aparente suavidade dos meios de coação. Apenas aparente. Porque a polícia do pensamento também é violenta, na medida em que dobra psicologicamente o indivíduo. Trata-se de uma espécie de waterboarding (afogamento simulado) virtual em que o indivíduo arrisca o afogamento social, um ostracismo interno, para além da punição profissional, se contrariar a ideologia única admissível.

A escatologia ambiental é apenas mais uma que procura ingenuamente resolver a falta de fé nas palavras, que não passam. O fim da Terra e do tempo ocorreria por causa dos pecados capitalistas dos homens: a indústria, a agricultura intensiva, o consumo, os fármacos e os químicos, a energia nuclear, os hidrocarbonetos, os plásticos e a exploração  de matérias-primas finitas. A manipulação genética, individual e social, faz-se em simultâneo, à adoração panteísta do «ambiente», do qual o homem passa a ser o objeto em vez do sujeito. A morte do homem - que não do animal ou da planta - é, afinal, toda boa, do salto no ventre, ao sono da veia até ao coma do imprestável (o velho, o doente, o deficiente). Uma ideologia absoluta que impõe que tudo é relativo (valores, instituições, relações, fenómenos) e líquido, menos ela mesma. Até a Igreja está a ser atraída por este novo bezerro de ouro a que chamamos Nada (o vazio da descrença).

Um pós-modernismo, ou relativismo, ou politicamente correto - marxismo transmutado de superação de Deus pela descrença, de dissolução do ser, primeiro da sociedade e depois do indivíduo. Dir-se-á que é apenas filosofia. Mas, para quem for atento, verá nesta doutrina totalitária uma consequência prática e tangível: a lei garante o abuso e a sua aplicação garantística protege-o. Como exemplo, veja-se a segurança pública: os militares tornam-se polícias de vigilância, os polícias tornam-se mediadores entre vítimas e criminosos, os criminosos tornam-se vítimas da sociedade, as vítimas tornam-se bombeiros, os bombeiros tornam-se acusados e os acusados políticos de negligência evaporam-se na irresponsabilidade. E quando a tragédia acontece, varre-se o lixo da verdade para debaixo do tapete político que tudo encobre, sejam os incêndios de 14 a 16 outubro de 2017, o furto de armamento em Tancos ou os atentados do Islão belicista. O resultado da irresponsabilidade concorre para a degradação social que, por sua vez, justifica a doutrina totalitária.

O efeito deste delírio ideológico, e da corrupção política associada, é o cansaço do povo e o regresso do autoritarismo, patente nos EUA e Rússia e emergente no Brasil e na Europa. Contudo, as elites mediáticas preferem fechar os olhos ao beco de desordem social e abuso, onde a corrupção nos conduziu. Siga a marcha do relativismo!...

quarta-feira, 14 de março de 2018

Dieb

O caso do currículo do secretário-geral de PSD, Feliciano Barreiras Duarte, revelado no Sol, de 10-3-2018, fez-me lembrar o caso do currículo falso do social-democrata relvista António Dieb, de julho de 2015, que este governo socialista-comunista-radical, significativamente, ainda mantém como presidente do Conselho Diretivo da importante Agência para o Desenvolvimento e Coesão (ADC) que coordena os fundos europeus... 

sábado, 10 de março de 2018

Malaise

Niilismo e malaise parecem ser as tendências que estão a conduzir a vida dos jovens a um beco. Jordan Peterson, em 27-2-2018, menciona, além desta crença no nada, o desespero e acrescenta ainda um desejo de notoriedade, presente nos assassinatos maciços (“maciço” ê mesmo a palavra original portuguesa, “massivo” é um anglicismo ou galicismo sem sentido)

que apavoram os norte-americanos. O mal-estar de não ter valores morais pelos quais governar a vida, de não ter Deus, de não ter fé, de não ter rumo nem caminho, precipita o desespero. E, nos casos mais graves, a alienação nas drogas e até a desistência da vida.

As gerações têm fenótipos diferentes. A mesma classe etária tem comportamentos diversos ao longo da história. Importa compreender a aflição das gerações mais jovens. Porque a satisfação material dos jovens, por pais preocupados em tudo proporcionar imediatamente aos filhos e aliviá-los de todo o sacrifício, não resolve a solidão íntima que a descrença instala.

Sem fé, caminhar é um ato inútil. Por isso, importa propor aos jovens uma resposta espiritual e cultural que lhes dê - a eles - um sentido de vida. Servir em vez de servirmo-nos.E fazê-lo com os meios, e com o modo, mais adequados para chegar a eles. Tocá-los no seu coração, provocar a sua adesão aos valores e ensinar-lhes a virtude do sacrifício pelo outro. De amar até ao último suspiro.

Atualização (21:43 de 14-3-2018: agradeço aos leitores a correção do meu lapso na palavra massiço/maciço. Coloquei o linque da entrada explicativa do Ciberdúvidas sobre o português “maciço” versus o anglicismo ou galicismo “massivo” e... tropecei. Um erro maçico de que peço maciçamente desculpa.

segunda-feira, 5 de março de 2018

Regras e caos: o exemplo de Jordan Peterson

«First they ignore you. Then they ridicule you. And then they attack you and want to burn you. And then they build monuments to you.» 
Nicholas Klein, 1914 (esta citação é comummente mal atribuída a Gandhi).

Recomendo a leitura do livro «12 Rules for life: An antidote to chaos» do professor Jordan Peterson, publicado em janeiro de 2018, pela Random House Canada.

O canadiano Jordan Peterson, psicólogo e professor universitário, perseguido na academia, e que banido dos media controlados pela esquerda, ganhou projeção com o seu canal no Youtube (tal com o professor brasileiro Olavo de Carvalho) com mais de oitocentos mil subscritores, especialmente jovens, (nomeadamente da nova geração Z, das florzinhas de estufa) pelo seu combate cultural ao relativismo pós-modernista, à ideologia do género (e da identidade) e à ditadura do politicamente correto. Baseia-se na psicologia da evolução, na etologia, na ciência do comportamento e nos dados científicos, para contrariar os mitos da esquerda radical totalitária que hoje impera na sociedade, nos média e na política, ocidentais. Inspira-se em Jung, Kierkegaard, Solzhenitsyn e Dostoyevsky. A sua prédica moral tem o maior relevo ideológico, apesar do seu agnosticismo (ainda...).

O livro está em primeiro lugar na Amazon norte-americana e tem liderado vendas nos EUA, Canadá e Grã-Bretanha. Não há por aí uma editora com coragem para o editar em Portugal e o trazer cá para uma conferência?

Que fique claro que, Do Portugal Profundo, não abdico do combate político imediato. Que continuarei a fazer enquanto Deus me permitir. First in, first out, como sempre: na informação que me chegue ou que cheire. Sem contemplação, nem demora. Todavia, é fundamental fundar os meios de combate mediático para promover a doutrina, agregando vontades intransigentes e criando um movimento social, que resultará na vitória.

O problema da direita patriótica em Portugal tem sido a obsessão com a conquista imediata do poder. Essa obsessão turva a análise e enviesa a conclusão. Assim, inverte-se a ordem racional de tomada do poder para uma absurda convicção de que interessa primeiro conquistar o poder através da adesão a personagens que não comungam dos mesmos valores cristãos e são, na verdade, quase tão perversos, na transigência dos valores, na negligência da administração pública e na corrupção de Estado, quanto os socialistas radicais a que, intermitentemente, dizem opor-se. Julgam, por urgência e impaciência, que após a conquista do poder por uma vanguarda de insiders corruptos - que usa eleitoralmente o setor patriótico como atestado de bom comportamento cívico -, então conseguiriam impor os valores cristãos e obter os meios de comunicação que consolidarão a mudança social. Os personagens atuais que representam a direita não servem! As prioridades estão desordenadas. Mas precisamos de meios para veicular as ideias e expor os adversários, necessitamos de agregar as vontades e criar movimento: só depois virá o poder.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Criar as condições de mudança cultural e política

Estátua de Diógenes.
Em Sínope, cidade que atualmente pertence à Turquia.


Tal como Diógenes de Sínope, na história com que meu pai me prevenia, andei demasiado tempo com uma lanterna à procura de um homem. Todavia, o cínico grego sabia que não o encontraria, e servia-se da lanterna para mostrar que não havia; eu, crédulo como sempre fui, confiava descobrir um homem, um líder. A minha convição era a de que esse homem (ou mulher) existia. Só podia existir!... E, quando me desenganava, era em mim que via a culpa: tinha de procurar mais e melhor. Perguntava a pessoas de valor que entretanto fui conhecendo, onde havia tal pessoa, mas ninguém sabia. Pior: nos meados dos anos 2000, confesso, que até ficava aliviado quando das personalidades de renome, me diziam de algum: «esse é só viciado na droga, não é pedófilo, nem corrupto»!...

Também quando menino, ia à noite, de lanterna de petróleo, na quinta, de casa da avó até ao barracão ajudar o Ti' Chico a «tirar a corrêa» do castanho com que este Amigo, alentejano da raia, fazia canastras... Em miúdo, levava a lanterna para não me perder; já graúdo, usava a lanterna para achar... Da noite, passei para o dia, nunca largando a lanterna. Perdi-me, muito, nas minhas fraquezas, e não encontrei nenhum humano que merecesse seguir.

No beco dessa desilusão - onde sempre Deus me consolava -, abriu-se-me o sentido de que não era aos outros que devia pedir que fizessem, mas eu, e quem comigo fosse, que devia lutar. Em combate leal, nestes anos de esperança e fel, que se estenderam desde 2003, com desprezo do conforto, dos bens e da própria vida, e a ajuda de companheiros encontrados nas jornadas e a graça de Deus, venci sucessivos adversários no terreno. Porém, após batalhas e incursões, fui embatendo contra a muralha do sistema, sem meios de valia além da força de caráter. Cheguei, na reflexão das madrugadas em que se limpam as armas, à conclusão de que precisava de criar as condições para que o Bem pudesse tomar o castelo dominado pelo Mal. Pois, se não tinha representantes das ideias, e se até os bispos evitavam o púlpito e frequentavam as maçonarias, onde buscaria a palavra, a vontade e a ação?...

O contexto atual é muito desfavorável para a intervenção patriótica tomar imediatamente o poder:
  • uma cultura envolvente de dissolução social;
  • uma Igreja muda e batida internamente pelo ventos do tempo incerto;
  • um ataque sistemático à criação popular de riqueza no turismo;
  • uma pressão fiscal insuportável sobre as empresas, modernizadas, adaptadas ao palco da moeda forte e internacionalmente competitivas pelo efeito acumulado do avanço educativo do País, passadas três décadas de crise económica estrutural;
  • os meios de comunicação sujeitos ao poder político corrupto; 
  • um governo socialista-comunista que vai consolidando suavemente a sua agenda cultural;
  • um presidente que parece reconvertido da tentação mefistofélica que o desorientava, mas que não governa.
  • os partidos da pós-direita conluiados com o poder político da esquerda, na bancocracia, nos negócios, nos contratos de Estado e nos incentivos;
  • uma ocupação do aparelho de Estado pelos militantes dos partidos de esquerda,  tal como em 1975;
  • a domesticação gramsciana das organizações da sociedade civil;
  • o previsto derrube da independência judicial;
  • e, em resultado de todas estas contradições morais e políticas, uma maioria eleitoral socialisto-comunista.

Muito gostaria que outros aceitassem a chamada do bom senso íntimo, que lhes pula na consciência, de que não há rios nem santanas, nem mesquitas (!) nem cristas, que queiram derrotar o pós-modernismo herdeiro do comunismo, repor os valores cristãos, reduzir o compadrio da maçonaria aos ágapes rituais, promover o trabalho e a criação de riqueza sobre a distribuição da massa falida, governar com escrúpulo e rigor, em suma, servir a Pátria.

Não é crível que a situação atual se inverta no curto e no médio-prazo e permita a recuperação do poder. Então, importa ao setor patriótico criar as condições de mudança cultural e política. Somos nós que temos de trabalhar para criar essas condições de mudança! Nesta cruzada estou.


Pós-texto: este poste foi emendado às 22:36 de 25-2-2018.


* Imagem picada daqui.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Crescem juntos


Cinco questõeszinhas sobre bicos de obras bancários:
  1. Será verdade que, recentemente, a filha do ex-presidente de Angola e maior acionista do banco EuroBic (ex-BIC), Isabel dos Santos  sacou secou a liquidez deste banco?
  2. E que, em consequência desta limpeza, o banco liderado pelo ex-ministro socialista Teixeira dos Santos, ficou em situação financeira muito complicada?
  3. E, se acontecer ao Eurobic o que aconteceu ao BES, cuja queda foi precipitada também pelas perdas de 3 mil milhões de euros em Angola, terá o povo português de suportar o socorro financeiro de outro banco?
  4. Já não basta o povo arcar com o resgate do Montepio através da caixa da caixa de esmolas da Santa Casa da Misericórdia, sem a responsabilização dos seus dirigentes, nomeadamente o intocável socialista Tomás Correia?
  5. E como pode o Banco de Portugal, que tem como membro do seu Conselho Consultivo, Francisco Louçã, a eminência parda do Bloco de Esquerda, deixar ocorrer estes descalabros?


* Imagem editada daqui.


Disclaimer: As entidades mencionadas nas notícias dos média, que comento, não são suspeitas ou arguidas do comentimento de qualquer ilegalidade ou irregularidade. E, quando arguidas, gozam do direito constitucional à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

O novo Bloco Central

O Bloco Central, cuja geometria, variável no atrappe-tout e fixo nos interesses, já inclui o BE e o PC, parece ter engolido o PSD de Rui Rio. Enquanto o CDS de Cristas, mantém-se sob a tutela de Paulo Portas no que concerne aos ditos interesses.

Estamos quase com um regime perfeito: a corte satisfeita no banquete e o povo para lá do fosso que não pode transpor. A cacicagem da troca de casas por votos é legítima, perigoso é o populismo!... E a democracia direta o caos...

A partilha dos fundos europeus, que já vigorava, está agora está mais tranquila, aberta a novos setores políticos e a outros atores dramáticos. A regionalização virá, por pressão das clientelas, mais ou menos disfarçada e sem consulta popular, que o povo poderia manter o veredicto contra o aumento do Estado, os escalões intermédios de tráfico de influência e a multiplicação do nepotismo.

Sobrava a justiça independente, mas afigura-se o consenso na remoção da procuradora-geral, cujo mandato termina daqui a onze meses. Luís Marques Mendes, chamuscado nos fumos do Oriente no caso dos vistos gold - o que lhe deveria merecer alguma vergonha... -, proclama um acordo para a substituição da procuradora Joana Marques Vidal. Procura-se um magistrado que dê garantias e tenha uma ação politicamente incontestada, assim ao modo do antecessor Fernando Pinto Monteiro...

E o povo vai andando, contente com o socialismo que lhe aliviou os bolsos das notas e agora lhos enche com níqueis, habituando-se, como é costume português, à praga de governos sujeitos à corrupção e à degeneração dos média, onde pontificam editores de confiança. A tragédia dos fogos no interior longínquo  apagada pela chuva de aumentos e subsídios.

No reverso da economia socialista, que distribui dinheiro, premeia a preguiça e pune a criação de riqueza, corre a reengenharia pós-moderna dos costumes. Depois do aborto, do casamento homossexual, a liberalização da droga para fins «terapêuticos»: a erva para o enjoo, o óleo para a fibromialgia e o charrinho p´rà sossega!... O PSD tranquilizou os congéneres, assegurando, em 11-1-2018:
«O grupo parlamentar do PSD defende que a canábis possa e deva ser utilizada para fins terapêuticos e, por isso, teremos uma iniciativa legislativa que corresponda exatamente a este fim».

«Este fim»... É por isso mesmo, quando quase todos se conformam com o fim, que importa continuar. Continuar sempre.


* Imagem picada daqui.

sábado, 13 de janeiro de 2018

A ministra da Justiça de Angola

Como enquadramento deste texto, recomendo a leitura do meu poste «A nomeação de Francisca van Dunen como ministra e sete factos capitais», neste blogue DPP, de 9-12-2015.

A ministra da Justiça, Francisca van Dunen, no dia 9-1-2018, na TSF, deu a entender que não será renovado o mandato da atual procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, falando num «mandato longo e um mandato único». Justificou a sua «análise jurídica» (sic) com a Constituição. Mas, segundo reportou o Observador, nesse mesmo dia, a Constituição admite a renovação do mandato e, se dúvida existisse relativamente ao espírito da lei, no acordo de revisão constitucional, de 1997, entre PSD e PS, quando António Costa era secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, lá consta que «a PGR terá mandato de 6 anos, sem limitação de renovação»...

Um assunto desta importância há-de ter sido objeto de concertação com o primeiro-ministro. O título da entrevista na TSF já era elucidativo, indo além da resposta da ministra: «Governo não renova mandato de Procuradora-Geral da República». Ainda nesse dia, outro naipe da orquestra socialista nos média, a TVI, tocava: «Ministra lembra que Joana Marques Vidal está de saída da PGR Mandato termina em outubro e não será renovado, de acordo com a Constituição»... Outro naipe, ainda, também entra na sinfonia: numa notícia assinada pelo próprio diretor, David Dinis, o Público titula: «Ministra da Justiça abre porta de saída à actual PGR. Governo vê mandato da Procuradora Geral da República como "longo e único", pelo que não deve reconduzi-la em Outubro».«Pelo que»!... Uma imprensa que faz o frete de veicular como suas o que os dirigentes não dizem... Ainda que dificilmente se acredite que estes meios, como o insider Dinis, não tenham confirmado a intenção do Governo com o próprio Costa...

Contudo, o Presidente da República furou, no dia seguinte, o balão solto pelo governo: «até ao momento em que tiver de exercer o meu poder constitucional, o tema não existe». E Costa teve de recuar taticamente - ainda que diga apoiar a interpretação da ministra - para logo dar dois passos em frente, através da longa mão nos média. Ontem, 12-1-2018, na TVI, a propósito do caso da alegada adoção de crianças, desvio para o EUA e Brasil, trocas e destrocas dos menores entre máximos dirigentes da IURD, tendo como convidado o desembargador Eurico Reis e o advogado Garcia Pereira, só faltou ao socratino José Alberto Carvalho que liderava a programa, pedir a cabeça da procuradora-geral por esta ter avocado o caso e não ter evitado a adoção de Vera, Luís e Fábio, em 1999...

Joaana Marques Vidal tem os dias contados na Procuradoria-Geral. Não por causa da «análise jurídica» da ministra, mas pela vontade do Partido Socialista de Costa e Sócrates que não parece perdoar à procuradora o facto de esta não ter travado o caso do ex-primeiro-ministro. Portanto, Joana Marques Vidal sairá no final deste mandato, em outubro de 2018.

Francisca Eugénia da Silva Dias van Dunen, enquanto procuradora distrital de Lisboa, já tinha tomado decisões controversas a favor dos envolvidos socialistas no processo de abuso sexual de crianças da Casa Pia, como recorda o José no blogue da Porta da Loja, em 9-1-2018. Teria sido prudente, agora como ministra, cair no mesmo buraco.

Os factos coincidentes de a ministra van Dunen, na entrevista da TSF, citada pelo Público, de 9-1-2018, se imiscuir no processo de corrupção em que está envolvido o ex-presidente de Angola, Manuel Vicente, ainda, falando sobre o mesmo, e lançar a substituição de Joana Marques Vidal cujo mandato durará mais nove meses (!), devem ser interpretados politicamente. Agora, Folha 8, de Luanda, registou, em 11-1-2018, a mensagem, pondo em título: «Francisca van Dunen "arquiva" caso Vicente»... Já bastava o caso das vergonhosas desculpas a Angola do ministro Rui Machete, de outubro de 2013, por causa das investigações judiciais pendentes!...

Uma ministra do governo português não pode interferir no poder judicial português soberano a favor do seu país natal, a cujo clã, paradoxalmente de origem boer, da «"gloriosa família" van Dunen» sugerindo a substituição da procuradora-geral que, aparentemente, se opõe à passagem do caso para Angola com o inevitável arquivamento do caso de um dirigente com imunidade na altura dos factos. Nesse sentido, deve ser lembrada Francisca van Dunen de que é ministra da Justiça da República Portuguesa e não representante de Angola no Governo português.


* Imagem picada daqui.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

domingo, 7 de janeiro de 2018

O kibutz de António Costa


ABC (dezembro de 2017). O 5.ºA/6.º do n.º 105 da Av. da Liberdade, em Lisboa,
onde António Costa viveu entre 2012 e 2014


De volta a um caso tabu - «A cobertura descoberta de António Costa», de 5-3-2015, e «Investigação à penthouse duplex de António Costa», de 18-3-2015, com novos dados.

Obtive, há dias, in loco, a informação de que teria sido vendido a um israelita o apartamento penthouse duplex (T2), no 5.º A (e 6.º) do n.º 105 da Avenida da Liberdade, em Lisboa, onde António Costa viveu entre 2012 e 2014, com os seus dois filhos. O atual primeiro-ministro terá vivido nesse apartamento entre 11 de julho de 2012 (quando era presidente da Câmara Municipal de Lisboa) e o final de novembro de 2014 (quando foi eleito secretário-geral do Partido Socialista). Trata-se de um prédio de escritórios (exceto o apartamento onde viveu António Costa), com porteiro, remodelado, durante o consulado de Costa à frente da autarquia lisboeta, segundo projeto, de 2008, do premiado arquiteto Carrilho da Graça, pertencente à I.I.I. - Investimentos Industriais e Imobiliários, S.A. A I.I.I. é uma empresa imobiliária da HoldingViolas Ferreira (HVF), que detém uma participação qualificada no BPI, além de outros investimentos.

Quando questionado, pela imprensa, em março de 2013 sobre o apartamento, António Costa referiu um alegado contrato de arrendamento da penthouse duplex, celebrado em 11 de julho de 2012, no valor de 1.100 euros mensais. O valor contrastava com a cotação de quatro mil euros mensais, que obtive de imobiliárias, para um apartamento do género numa das avenidas mais caras do mundo, nessa época. Costa nunca mostrou, que se saiba, a cópia do contrato com data e carimbo da repartição de finanças do bairro fiscal que abarca a freguesia de São José, em Lisboa, desse mês de julho de 2012.

Também não foi possível saber na altura das notícias, qualquer eventual ajuda financeira, fiscal ou outras - e de quanto - de programa público de reabilitação urbana administrado, ou intermediado, pela CMLisboa, à I.I.I. - Investimentos Industriais e Imobiliários, relativas ao edifício do n.º 105 da Avenida da Liberdade, e à Holding Violas Ferreira (HVF), desde 2008. E continua a ser útil saber-se no quadro da accountability política a que os cidadãos têm legitimamente direito.

A última informação que eu possuía, e que aqui publiquei em 9-9-2016, era de que a penthouse duplex se encontrava vazia, que um cuidador continuava regularmente a regar-lhe as flores, como se o apartamento de cobertura aguardasse a volta de Costa...

Fiquei surpreso com a informação de que o famoso apartamento teria sido vendido. Porque se trata de um prédio explorado para arrendamento pela I.I.I da holding Violas Ferreira, que não estava fracionado em propriedade horizontal. Por isso, fui verificar novamente o registo que abaixo publico.



Fac-simile do registo predial do n.º 105 da Avenida da Liberdade, Lisboa
(cópia emitida em 5-1-2018)


Ora, segundo a certidão do registo predial, que obtive em 5-1-2017, o prédio em causa, situado na «Avenida da Liberdade, n.ºs 91 a 117, e Praça da Alegria, n.ºs 74, 75, 76 e 77», na freguesia de São José, de Lisboa, segundo o registo n.º 546/20090827, da Conservatória do Registo Comercial de Lisboa (descrição n.º 4739, Livro n.º 17), adquirido, em 7-7-1989, pela I.I.I. - Investimentos Industriais e Imobiliários, S.A., do grupo Violas e agora da Holding Violas Ferreira (HVF), não está em propriedade horizontal. Logo, não poderia ser vendida uma fração (o apartamento duplex onde viveu António Costa). Desconheço se existe algum contrato-promessa de compra e venda, ou outro instrumento jurídico, onde tal venda possa ter ocorrido ou sido prometida.

E, portanto, para esclarecimento dos leitores, não posso confirmar a informação que o apartamento teria sido excecionalmente vendido pela I.I.I. a um alegado cidadão israelita. Julgo que para evitar qualquer dúvida, será útil à imobiliária I.I.I. do grupo Violas Ferreira esclarecer a verdade.


Nota: O caso foi exposto neste blogue Do Portugal Profundo, no poste «António Costa e a cobertura descoberta», de 6-3-2015, e «Investigação à penthouse duplex de António Costa», de 18-3-2015 - e ainda o meu poste «Ameaça sistémica», de 9-3-2015. E, no desenvolvimento da análise da parte fiscal, ler os meus postes «António Costa: remunerações e impostos», de 9-9-2015, e «Costa 2007-2013: exclusividade na CMLisboa (?), IRS e IVA», de 28-9-2015.


Limitação de responsabilidade (disclaimer): António Luís Santos da Costa, objeto das notícias dos média que comento, não é arguido ou suspeito de qualquer ilegalidade neste caso. a III-Investimentos Industriais e Imobiliários, S.A., a HVF, Otília Violas Ferreira, Edgar Alves Ferreira, Tiago Violas Ferreira, da holding grupo Violas Ferreira, outros membros da família Violas, e outras entidades referidas neste poste, não são suspeitos da prática de qualquer ilegalidade ou irregularidade neste caso.
Também o alegado cidadão israelita do 5.º A e 6.º do n.º 105 da Avenida da Liberdade, em Lisboa, não é arguido, nem suspeito da prática de qualquer ilegalidade ou irregularidade neste caso.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

O bom combate


Natividade. Basílica de Santa Sofia, Constantinopla.


Natal. Deus fez-se homem para nos tocar com a sua divindade. Passar pelo transe humano para expressar a redenção. 

O Natal que celebramos é uma experiência de renascimento. Nosso. Não um episódio de um ser distante, mas a constância de um Deus próximo. Um Deus à distância de uma oração íntima e que vela pela Verdade.

Nesta época de paganismo ditatorial nos países da Cristandade, é tempo ainda - e sempre! - de trabalho e combate. O bom combate.

sábado, 23 de dezembro de 2017

O outro Obama

A interrelação de Obama, Hizbala, Irão, Venezuela e Rússia, documentada em "The secret backstory of how Obama let Hezbollah off the hook", numa grande reportagem de Josh Meyer, no Politico, de 18-12-2017.

Um trabalho extenso que detalha como a obsessão do presidente Obama com o inútil acordo sobre armas nucleares com o Irão, por meio do seu braço de origem libanesa Hizbala, permitiu ao regime xiita fundamentalista de Teerão tornar-se uma superpotência regional, através do tráfico de droga, inclusivé para os States, tráfico de armas, lavagem de dinheiro e terrorismo global. Uma ameaça que continua, devido ao kompromat de Trump.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Volta


Capela de São Jorge, chão da batalha de Aljubarrota, 1-12-2017

"Sed fugit interea, fugit irreparabile tempus". 
                   Publius Vergilius Maro (c. 29 dC). Georgicon. III, 284.


No bailado da vida, o tempo foge. Irreversivelmente, como lamentava Virgílio?... Não. Depende da dança da vontade. Nesse sentido, o tempo é absolutamente relativo. Até porque dura para lá de nós... É uma variável dependente. Dependente do que se faz nele... Mas não é por madrugar muito, e madrugo - quando não ocupo o serão -, que amanhece mais cedo. Por vezes, é necessário parar um pouco a urgência para preparar, sem pressa nem medo, o futuro. O tal, de passo incerto, cujo ritmo pertence a Deus.

No meio dos dramas e das comédias, há sempre que encontrar a esperança e voltar ao trabalho. No País, pasmado, e no mundo, em transição, ao serviço do povo.

O mundo em transição do delírio politicamente correto socialista para um retorno aos valores intransigíveis: o cansaço dos povos perante os absurdos extremos da ditadura do politicamente correto; o solavanco por que passa a Igreja; a recuperação militar temporária perante um Islão em reorganização tática, enquanto continua a sua expansão demográfica na Europa; a perda eleitoral dos partidos do espectro politicamente correto socialista e o ganho de plataformas a que chamam populistas por, afinal, servirem o que o povo quer; o ressurgir dos regionalismos, de que são exemplos o independentismo moll da Catalunha (que, com a sequente autonomia do País Basco, reduziria Portugal a uma região da Ibéria...) ou da Córsega.

O País pasmado: com a tragédia dos incêndios do interior desprezado, com a coragem da acusação, pela qual muito se lutou, ao longo de anos, ao primeiro-ministro que arruinou o Estado e o povo; com a (a)normalidade de um governo socia-estalo-trostskista que vai gozando do gravame desigual do anterior; com a distribuição discreta de lugares do Estado por comunistas e trotskistas burgueses; com o cheirete da fétida corrupção socialista e a oxidação fatídica da liderança ferrugenta da coligação governativa; com a evidência sistémica da promiscuidade socialista do PSD regionalista e do CDS p(r)o(a)rtista; com a sujeição do Estado e da sociedade civil, inclusivé no interior, ao poder da Maçonaria; com a mudança silenciosa do paradigma ideológico de um País católico para o delírio de uma sociedade socialista repressora, apesar dos sinais do tempo; com uma sociedade civil distentida pelo alívio do cinto financeiro; e com o engenho económico das novas gerações a aproveitar o crescimento do fluxo turístico e o esforço nacional acumulado da educação.

E o que quer o povo? Recuperação da democracia através da derrota da bancocracia socialista; limpeza da corrupção; responsabilização social; segurança pública; controlo da imigração; liberdade económica; desagravamento fiscal; redução do Estado e da subsidio-dependência de indivíduos e instituições; supervisão da distribuição de subsídios públicos e prestação de contas; justiça eficaz e autónoma do poder político; escola rigorosa e livre de demagogia política; desenvolvimento territorial harmonioso e não apenas da corte; liberdade de viver de acordo com os valores professados; e proteção da família.